Exposição Novas Aquisições – Gilberto Chateubriand

fonte: portal dasartes

A partir do dia 30 de maio, próxima terça-feira, o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM/RJ) abre suas portas ao público para a exposição Novas Aquisições 2007-2010 – Coleção Gilberto Chateubriand.
São mais de 100 obras entre pinturas, esculturas, desenhos, gravuras, fotografias, grafite e instalações de 87 artistas que, juntos, representam um panorama do pensamento de Gilberto Chateaubriand sobre a arte brasileira. A mostra traz ainda obras de alguns artistas estrangeiros, também integrantes da coleção, nos últimos três anos.
Cedida em comodato há 17 anos ao Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, a Coleção Gilberto Chateaubriand responde em parte pelo prestígio nacional e internacional do museu.
A mostra Novas Aquisições é organizada periodicamente e revela as mais recentes tendências de nossa arte. A mostra é essencialmente contemporânea, embora algumas das recentes aquisições complementem outros núcleos da coleção. Nesta edição poderão ser conferidos trabalhos em grandes dimensões, presentes no primeiro segmento da exposição.

Da redação

Relação de artistas presentes na mostra:

Adriano de Aquino [Belo Horizonte MG, Brasil, 1946]
Afonso Tostes [Belo Horizonte MG, Brasil, 1965]
Alessandro Sartore [ Brasil]
Alex Cabral [Santos SP, Brasil, 1962]
Alice Ramos [Salvador BA, Brasil, 1972]
Arjan Martins [Rio de Janeiro RJ, Brasil, 1960]
Armando Mattos [Rio de Janeiro RJ, Brasil, 1957]
Arthur Luiz Piza [São Paulo SP, Brasil, 1928]
Bernardo Pinheiro [Belo Horizonte MG, Brasil, 1980]
Bet Katona [Pécs, Hungria/Brasil, 1954
BobN [Rio de Janeiro RJ, Brasil, 1967]
Carla Guagliardi [Rio de Janeiro RJ, Brasil, 1956]
Claudio Matsuno [São Paulo SP, Brasil, 1971]
Cláudio Montagna [Rio de Janeiro RJ, Brasil, 1957]
Cleido Vasconcelos [Ribeirão Preto SP, Brasil, 1959]
Cristina Canale [Rio de Janeiro RJ, Brasil, 1961]
Cristina Pape [Rio de Janeiro RJ, Brasil, 1953]
Daniel Murgel [Niterói RJ, Brasil, 1981]
Daniel Toledo [Rio de Janeiro RJ, Brasil, 1981]
David Cury [Teresina PI, Brasil, 1963]
Deborah Engel [Palo Alto, EUA, 1977]
Ding Musa [São Paulo SP, Brasil, 1979]
Eduardo Berliner [Rio de Janeiro RJ, Brasil, 1978]
Efrain Almeida [Boa Viagem CE, Brasil, 1964]
Elisa Bracher [São Paulo SP, Brasil, 1965]
Felipe Barbosa e Rosana Ricalde [Niterói, RJ, Brasil, 1978 e 1971]
Felipe Fernandes [Rio de Janeiro, Brasil, 1983]
Fernanda Figueiredo & Eduardo Mattos [São Paulo SP, Brasil]
Fernando Lemos [Lisboa, Portugal, 1926]
Franz Manata [Belo Horizonte BH, Brasil, 1964]
Graziela Pinto [SP, Brasil, 1977]
Gustavo Prado [Rio de Janeiro RJ, Brasil, 1981]
Gustavo Speridião [Rio de Janeiro RJ, Brasil, 1978]
Ione Saldanha [Alegrete RS, 1919 – Rio de Janeiro RJ, Brasil, 2001]
Jan Zach [Slany, Tchecoslováquia, 1914 - Oregon, EUA, 1986]
João Magalhães [Juiz de Fora MG, Brasil, 1945]
Jorge Fonseca [Conselheiro Lafaiete MG, Brasil, 1966]
Júlio Callado [Rio de Janeiro RJ, Brasil, 1981]
Katia Maciel [Rio de Janeiro RJ, Brasil, 1963]
Lina Kim [São Paulo SP, Brasil, 1965]
Lúcia Laguna [Campo dos Goytacazes RJ, Brasil, 1941]
Luis Trimano [Buenos Aires, Argentina, 1943]
Marcio RM [Rio de Janeiro RJ, Brasil, 1961]
Marcos Bonisson [Rio de Janeiro RJ, Brasil, 1958]
Marcos Chaves [Rio de Janeiro RJ, Brasil, 1961]
Marcos Vasconcellos [Rio de Janeiro, RJ, Brasil, 1953]
Maria Tuca [Rio de Janeiro RJ, Brasil, 1956]
Mário Azevedo [Ubá MG, Brasil, 1957]
Mauricio Dias e Walter Riedweg [1964 e 1955]
Mendes Faria [Juiz de Fora MG, Brasil, 1946]
Michel Groisman & Sung Pyo Hong [Brasil]
Niobe Xandó [Campos Novos Paulista SP, Brasil, 1915]
Otavio Schipper [Rio de Janeiro RJ, Brasil, 1979]
Paula Trope [Rio de Janeiro RJ, Brasil, 1962]
Paulo Campinho [Petrópolis RJ, Brasil, 1958]
Paulo Climachauska [São Paulo SP, Brasil, 1962]
Paulo Garcez [Rio de Janeiro RJ, Brasil, 1945 – 1989]
Paulo Greuel [Curitiba PR, Brasil, 1951]
Presto [Marcio Penha; São Paulo, Brasil, 1976]
Ramon Martins [Belo Horizonte MG, Brasil, 1980]
Raul Leal [Miracema RJ, Brasil, 1965]
Regina Vater [Rio de Janeiro RJ, Brasil, 1943]
Rochelle Costi [Caxias do Sul RS, Brasil, 1961]
Rodrigo Braga [Manaus AM, Brasil]
Rodrigo Godat [Goiânia, GO, Brasil, 1980]
Sérgio Torres [Rio de Janeiro RJ, Brasil, 1967]
Sergio Vega [Buenos Aires, Argentina, 1959]
Vania Mignone [Campinas SP, Brasil, 1967]
Victor Arruda [Cuiabá MT, Brasil, 1947]
Walton Hoffmann [Curitiba PR, Brasil, 1955]

Novas Aquisições 2007-2010 – Coleção Gilberto Chateubriand.
de 30 mar a 02 maio/2010
Museu de Arte Moderna - RJ 

29ª Bienal de SP divulga relação com os 38 primeiros artistas confirmados

A 29ª Bienal de São Paulo, marcada para entre 21/09/10 e 12/12/10, apresenta a lista inicial de artistas que participarão da mostra, que nesta edição tem o tema “Política e Arte”. A divulgação da lista coincide com o primeiro encontro de curadores, que durante a primeira semana de fevereiro se reuniram no Pavilhão da Bienal, no Parque do Ibirapuera, para aprofundar os conceitos que orientam a organização da mostra. Ao lado dos curadores-chefes Moacir dos Anjos e Agnaldo Farias, ambos brasileiros, participaram do encontro os co-curadores Sarat Maharaj, da África do Sul, Rina Carvajal, da Venezuela, Chus Martínez, da Espanha, Yuko Hasegawa, do Japão, e Fernando Alvim, de Angola. A mostra deverá reunir cerca de 120 artistas, divididos em seis núcleos, e terá ainda cerca de 400 eventos paralelos.
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Veja a relação inicial de artistas confirmados para a 29ª Bienal:
1. Ai Weiwei (China)
2. Alice Miceli (Brasil)
3. Allora & Calzadilla (EUA e Cuba)
4. Anri Sala (Albânia)
5. Antonio Dias (Brasil)
6. Antonio Manuel (Brasil)
7. Artur Barrio (Portugal / Brasil)
8. Artur Zmijewski (Polônia)
9. Chantal Akerman (Bélgica)
10. Cildo Meireles (Brasil)
11. David Claerbout (Bélgica)
12. Deimantas Narkevicius (Lituânia)
13. Efrain Almeida (Brasil)
14. Emily Jacir (Palestina/EUA)
15. Flávio de Carvalho (Brasil)
16. Francis Alÿs (Bélgica / México)
17. Harun Farocki (Alemanha)
18. Hélio Oiticica (Brasil)
19. Isa Genzken (Alemanha)
20. Jeremy Deller (Inglaterra)
21. Jimmie Durham (EUA)
22. Jose Antonio Vega Macotela (México)
23. Kendell Geers (África do Sul / Bélgica)
24. Lívio Tragtenberg (Brasil)
25. Luiz Zerbini (Brasil)
26. Lygia Pape (Brasil)
27. Marcelo Silveira (Brasil)
28. Mateo Lopez (Colômbia)
29. Miguel Angel Rojas (Colômbia)
30. Miguel Rio Branco (Brasil)
31. Nan Goldin (EUA)
32. Nuno Ramos (Brasil)
33. Paulo Bruscky (Brasil)
34. Pedro Costa (Portugal)
35. Runa Islan (Bangladesh/Inglaterra)
36. Sandra Gamarra (Peru)
37. Steve McQueen (Inglaterra)
38. Sophie Ristelhueber (França)

Vermelho é a preferida dos Artistas Sem Galeria

fonte: Mapa das Artes

A Vermelho (São Paulo) é a galeria preferida pelos 258 artistas inscritos no 1° Salão dos Artistas Sem Galeria, que responderam o item da ficha de inscrição que pedia que indicassem três galerias brasileiras de sua preferência. Foram citadas 117 galerias e/ou espaços expositivos (alguns fechados há mais de dez anos!). A Vermelho foi citada por 77 deles, seguida por Fortes Vilaça (74), Nara Roesler (51), Casa Triângulo (46), Luisa Strina, Choque Cultural e Virgílio (as três com 25), Leme (22), Millan (19) e Nova André (12). Entre as galerias cariocas, as mais votadas foram A Gentil Carioca e Laura Marsiaj (ambas com 15 lembranças), Anita Schwartz (10), Arte em Dobro (7) e Silvia Cintra + Box 4 (5). Fora do eixo Rio-São Paulo, as mais votadas foram Casa da Imagem (Curitiba, 4 votos), Ybakatu (Curitiba, 3), Celma Albuquerque (Belo Horizonte, 3) e Adearte (Ribeirão Preto, 2).

Agnaldo Farias é o curador mais lembrado pelos Sem Galeria

fonte: Mapa das Artes

O co-curador da 29ª edição da Bienal Internacional de Arte de São Paulo, Agnaldo Farias, foi o curador mais lembrado pelos 256 inscritos no Salão dos Artistas Sem Galeria, que responderam o item da ficha de inscrição que pedia que indicassem três curadores e/ou críticos de sua preferência. Agnaldo Farias foi lembrado por 46 artistas. Em seguida vieram Fernando Cocchiarale (29), Paulo Herkenhoff (20), Kátia Canton e Cauê Alves(ambos com 19), Tadeu Chiarelli (18), Juliana Monachesi (17), Rodrigo Naves (15), Oscar D´Ambrosio (12) e Rodrigo Moura (11). Ao todo, 240 “curadores e/ou críticos” foram lembrados pelos 258 inscritos, o que leva o Mapa das Artes a refletir sobre a necessidade de se criar um Salão dos Curadores Sem Galeria, Museu ou Coleção para Curar!

Situação de museus de arte no país é deplorável

fonte: Folha de S. Paulo, por Marcos Augusto Gonçalves em 14/01/2009

Para crítico e curador, políticas do Estado brasileiro "refletem estatuto da arte na consciência da elite, que é inexistente"

Crítico, Curador e professor de história da arte, Paulo Sergio Duarte cita o abandono do Museu de Brasília como exemplo da indigência das políticas públicas em relação ao setor e diz que o Instituto Brasileiro de Museus é só "um escritório com diretoria e alguns assessores". Ele vê os museus como "instrumentos indispensáveis para qualquer sistema educacional que se preze" e advoga interação entre essas instituições e universidades.

Pesquisador do Centro de Estudos Sociais Aplicados da Universidade Candido Mendes, no Rio, Duarte, foi curador da 5ª Bienal do Mercosul (2005) e do Projeto Rumos Artes Visuais do Itaú Cultural, no ano passado. Ele cobra do governo Lula a definição de prioridades e defende que os museus federais sejam centros de excelência e formação técnica. Quanto às mudanças na Lei Rouanet, propõe tratamento especial para investimentos em aquisição de acervos e infraestrutura de museus -hoje preteridos em favor do patrocínio de exposições temporárias.

FOLHA - Qual é a situação da rede de museus do país?

PAULO SÉRGIO DUARTE - É preciso lembrar logo que só vamos falar de museu de arte, a cultura em tão elevado estado de condensação que nós não chamamos de cultura, mas de arte. No caso desses museus, a situação é deplorável. Existem ilhas razoáveis que estão longe de dar um bom panorama histórico da arte no país.

FOLHA - Qual é a responsabilidade do governo nessa situação?

DUARTE - Não é um problema só de governo, este ou passados. A política cultural do Estado reflete o estatuto da arte na consciência da elite brasileira. E esse lugar simplesmente não existe, com raríssimas exceções. Repetindo o que digo há 30 anos: percorrendo, em qualquer uma das duas maiores cidades do país, todos os seus museus, é impossível para um professor dar um curso digno da história da arte do século 20.

Tenho insistido sobre o fato de que neste ano Brasília completa 50 anos. Onde está seu museu de arte? No antigo Clube das Forças Armadas, depois cedido para o Casarão do Samba, e posteriormente transformado no museu de arte. Está lá num prédio interditado, cercado por hotéis de arquitetura pífia. Até aqui, este é o lugar do museu na capital da nação. Eu defendo que se faça um concurso internacional para este museu, como foi feito no Rio para o Museu da Imagem e do Som.

FOLHA - Isso é simbólico quanto à importância que o poder público confere à arte?

DUARTE - Isto não acontece por mero acaso no país no qual sobra dinheiro para malas em automóveis e aviões de pastores evangélicos, fraldas de dólares debaixo das calças de cabos eleitorais e até nas meias de deputados. Qual pode ser o estatuto da arte nesse lugar? Como acreditar que a arte é um conhecimento específico, muito importante para compensar os efeitos da indústria cultural, e formar um olhar crítico no cidadão se, na capital do país, é tratada de modo tão lamentável?

FOLHA - Como você vê a atuação do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), criado pelo governo?

DUARTE - Por enquanto, é um escritório com uma diretoria e alguns assessores.

FOLHA - Como ele deveria se estruturar?

DUARTE - Os museus são, antes de tudo, equipamentos necessários à formação de cidadania e um instrumento indispensável de qualquer sistema educacional que se preze. Com as tarefas enormes e com o alarme de emergências tocando todo dia, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o Iphan, não pode dar a devida prioridade aos museus.

Parodiando Carl von Clausewitz, na sua frase que já se tornou clichê: os museus são importantes demais para ficar nas mãos de museólogos. Os acordos e convênios com universidades e institutos de ensino e pesquisa nas diversas regiões do país poupariam da inchação o quadro de pessoal do Ibram.

Acredito que, para o primeiro mandato do presidente Lula, estava correta a política do Ministério da Cultura de prospecção do campo realizada pelas consultas a câmaras setoriais, reuniões e estímulos à participação. Mas já é tempo de ter focos precisos, prioridades de efeitos multiplicadores. Acima de tudo, as instituições federais têm de ser centros de excelência e de formação técnica.

FOLHA - Que prioridades?

DUARTE - Por exemplo, os projetos educativos dos museus devem priorizar a formação de professores e secundariamente se voltar para o cidadão comum. As visitas de turmas de alunos de escolas e colégios devem estar sempre programadas como trabalhos práticos de professores preparados pelos próprios museus em programas de convênios com as secretarias de educação. Os programas educativos para professores devem estar voltados para os docentes de todas as áreas, e não apenas para aqueles de arte e educação artística. Só desse modo fará sentido a divulgação dos números de visitação de alunos; por enquanto servem para a satisfação demagógica e a prestação de contas a departamentos de marketing de patrocinadores.

FOLHA - Em relação a museus, o que deveria mudar na Lei Rouanet?

DUARTE - Eu considero que deveria haver mais estímulo fiscal aos investimentos em infraestrutura dos museus e aquisição de acervos do que para exposições temporárias. Não se trata de acabar com o estímulo às exposições e sua documentação em catálogos. Mas a aquisição de obras e publicações que exigem longas pesquisas e não estão vinculadas a um evento temporário mereceriam receber tratamento diferenciado. O mais grave, segundo li na Folha [Ilustrada, 24/11/09], é o governo querer disciplinar ou mesmo proibir a remuneração dos profissionais contratados para dirigir museus ou instituições culturais que adquiriram um estatuto autônomo, como organizações sociais. É um estímulo ao pior amadorismo ou a uma péssima elitização das direções das instituições: só ricos, pessoas que não vivem do que fazem, poderão ocupar essa direção, ou funcionários mal remunerados.

FOLHA - Que lições devemos tirar do incêndio que destruiu parte importante da obra de Hélio Oiticica?

DUARTE - A primeira lição é que não se deve nunca dispensar uma consultoria de risco indicada por uma boa empresa de seguros para qualquer edificação que for armazenar acervos preciosos. Mais do que isso: uma das cláusulas ao uso das leis de incentivo à cultura para instituições que preservam acervos seria a realização prévia da consultoria e o financiamento, pela própria lei de incentivo, da execução de todas as medidas técnicas que sejam recomendadas.

Acho que quem primeiro deveria dar esse exemplo é o próprio Ministério da Cultura, realizar essa consultoria em cada uma das instituições sob sua responsabilidade. A verdade é que em muitos casos nem as normas estabelecidas pelos Bombeiros são cumpridas.

FOLHA - Se compararmos arte contemporânea, mercado e instituições do Brasil com arte contemporânea, mercado e instituições de países mais avançados, quais são os principais descompassos?

DUARTE - Temos atualmente uma excelente produção de arte, reconhecida, antes de tudo, por importantes instituições e coleções estrangeiras. Nossas instituições apresentam os mesmos descompassos que existem para outras áreas, a começar pelo sistema educacional: quais são os descompassos que existem entre os sistemas educacionais brasileiro, japonês, alemão, americano, francês e inglês, por exemplo?

Nossas instituições de arte estão para as instituições desses países assim como [estão] nossa educação e nossos serviços de saúde. Quanto ao mercado, me parece que amadureceu muito, nos últimos 20 anos, em São Paulo; se estrutura no Rio e em Belo Horizonte, mas depende exclusivamente de colecionadores particulares. As instituições públicas não têm recursos regulares para aquisições.

FOLHA - E as doações?

DUARTE - Dou um exemplo. A diretora do Museu Nacional de Belas Artes declarou que recebeu em poucos anos milhares de doações. O número publicado chegava a dezenas de milhares, embora isso possa ter sido um erro tipográfico. Mas, se é verdade, é evidente prova do elevado grau de indigência que conduz a política cultural de artes visuais. Integrar o acervo do Museu Nacional de Belas Artes deve ser privilégio reservado às obras de artistas que constituem um patrimônio do povo brasileiro e cuja fruição vai efetivamente formar o olhar do cidadão no campo da arte.

Visite-se a sala de arte moderna e contemporânea do museu e ver-se-á que, além das inúmeras lacunas, existe quase sempre a inversão de valores: quanto menos importante o artista mais espaço ocupa sua obra. É uma aula completa do que não deve ser feito.

Arte online

fonte: Revista, Fundação Iberê Camargo, em 08 de dezembro, 2009


A Internet não é exatamente novidade no mundo das artes: você está, agora mesmo, lendo a Revista Digital da Fundação Iberê Camargo, uma entre os diversos sites que discutem, noticiam e divulgam as práticas artísticas no Brasil e no mundo. Ao mesmo tempo, cresce também a venda online de obras de arte – que acaba de ganhar mais um boom. É a recém-lançada Galeria Motor, espaço virtual que reúne cerca de 80 artistas e 170 obras no site de comércio eletrônico Submarino.

Sinal dos tempos. Por um lado, o chamado e-commerce já é uma realidade: segundo o site eCommerceOrg, o Brasil é o sexto colocado no ranking dos países com maior número de usuários de internet no mundo, com 50 milhões de pessoas ou 26.1% da população com acesso à rede. Isto representa um surpreendente crescimento de 900% no período de 2000 a 2008. Nesta década, o comércio eletrônico também cresceu, atingindo, no ano passado, a marca de faturamento de R$ 8,2 bilhões ao ano – e a previsão é que 2009 feche alcançando os R$ 10 bilhões. Por outro lado, o universo virtual tem servido como espaço aberto para divulgação do trabalho de inúmeros artistas, que fazem uso de sites e redes sociais para mostrar suas obras e fazer contatos profissionais – muitas vezes fugindo do circuito tradicional da arte.

E é identificando uma brecha neste cenário quase contraditório que se insere a Motor, resultado de uma parceria entre a galeria paulistana Nara Roesler e o Submarino, com a adesão de parceiros importantes como as galerias Luisa Strina, Luciana Brito, Raquel Arnaud, Leme, Choque Cultural, Casa Triângulo, Marília Razuk, Laura Marsiaj, Thomas Cohn, Eduardo Fernandes, Bolsa de Arte e Samba Photo, além de grupos como o do Atelier Fidalga. “A participação do comércio virtual em vários setores está mostrando que ele já ficou, e só tende a aumentar”, acredita Alexandre Roesler, diretor da Motor e responsável pela implantação do projeto. “Resolvemos montar uma galeria virtual diferente do que já se tem: conseguimos articular com galerias importantes e grandes artistas, fazendo obras específicas para serem vendidas pela internet”, explica. Segundo Alexandre, mais de 90% dos trabalhos vendidos na Motor foram criados com este fim, aumentando algumas tiragens para permitir uma redução maior dos preços.

Junto de nomes já estabelecidos das artes brasileiras estão representantes das novas gerações, artistas jovens cujo talento é uma aposta das galerias. Segundo Roesler, todos os representados passaram por uma seleção feita pelo Conselho Curatorial da Motor, composto por membros das demais galerias envolvidas e por um curador convidado – no caso, o crítico de arte Agnaldo Farias, que participou do processo até ser convidado a assumir a curadoria da Bienal Internacional de São Paulo. A ideia é que o convidado mude a cada ano, trazendo novas propostas para a coleção. “Queremos educar o olhar do público para a arte contemporânea, oferecendo obras para todo o país, 24 horas por dia, sete dias por semana, com informações sobre os artistas”, destaca Roesler. Além do breve texto sobre a obra e sobre o autor, que acompanha cada um dos trabalhos, em breve devem estar disponíveis no site entrevistas em vídeo com os artistas.

O diretor credita boa parte do sucesso da plataforma à credibilidade do Submarino, uma das maiores plataformas de e-commerce do Brasil, com experiência e estrutura necessárias para abrigar a iniciativa. Desde o lançamento da Galeria Motor, todas as obras foram armazenadas diretamente pelo site, que as recolhe dos espaços de arte e dos ateliês dos artistas. “Eles estão acostumados a transportar desde ovos de Páscoa até TVs de plasma. Ou seja, têm conhecimento e eficiência nos processos”, elogia Roesler.

“Nossa intenção é ampliar o acesso à arte, para que as pessoas conheçam mais, comprem seus primeiros trabalhos e peguem gosto pela coisa. Acreditamos que podemos ajudar para a criação de um novo grupo de jovens colecionadores e apreciadores da arte contemporânea”, defende. Sinal dos tempos.